Distribuidoras de gás estimam aumento de 20% em contratos com Petrobras
Segundo a Reuters, as distribuidoras de gás canalizado no Brasil estimam um aumento de 20% nos contratos firmados com a Petrobras, com vigência a partir de 1º de maio de 2026. Esses contratos são integralmente referenciados ao preço do petróleo Brent, o que faz com que os reajustes estejam diretamente ligados à cotação internacional do combustível.
Contexto dos reajustes e expectativa para agosto
De acordo com Marcelo Mendonça, diretor-executivo da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), os contratos são reajustados trimestralmente. Para o próximo reajuste, previsto para agosto de 2026, a projeção aponta para um aumento ainda mais expressivo, estimado em até 35%. Isso significa que, considerando os valores praticados em fevereiro deste ano, os contratos poderão acumular alta média entre 50% e 60% até o segundo semestre.
"Não temos margem ou lastro para suportar um aumento dessa magnitude", afirmou Mendonça em entrevista à Reuters, destacando a dificuldade do setor em absorver os custos elevados.
Medidas governamentais e impactos no mercado
Em meio a esse cenário, o governo federal lançou programas de subvenção para alguns combustíveis, como o diesel e o querosene de aviação (QAV), buscando reduzir os efeitos da alta dos preços internacionais causada por restrições da oferta decorrentes do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Recentemente, também foi implementado um programa de subsídio para o gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha.
Marcelo Mendonça ressaltou que, ao incentivar combustíveis concorrentes, inclusive mais poluentes que o gás natural, o governo pode acabar prejudicando o mercado do gás natural, que é considerado o combustível de transição para uma matriz energética mais sustentável. "Quando você estimula combustíveis concorrentes, o gás natural perde mercado", explicou.
Próximos passos e expectativas do setor
As distribuidoras solicitam que o governo adote medidas para mitigar os impactos dos aumentos nos contratos de gás canalizado, similarmente às ações já tomadas para outros combustíveis. O setor acompanha atentamente a evolução dos preços internacionais do petróleo e as decisões governamentais que possam influenciar esse cenário.
Com a expectativa de reajustes significativos para os próximos meses, a busca por soluções que garantam a competitividade do gás natural e a sustentabilidade do setor torna-se prioridade para as distribuidoras, que enfrentam um cenário desafiador para manter a oferta e o equilíbrio financeiro.
Por Marta Nogueira; edição de Roberto Samora.
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